Mercado Promissor

Faxina à moda brasileira faz sucesso e abre portas para quem vive em terras australianas. Há oito anos morando em Sydney, a gaúcha Tatiana Dal Osto conta como é ter uma empresa de limpeza na cidade mais busy da Oceania

O casal Wesley Trus e Tatiana Dal Osto resolveu montar o seu próprio negócio um ano depois de chegarem à Austrália. Enquanto o empresário paranaense de Campo Mourão cuida da parte de jardinagem e limpeza de carpetes e estofados da A A A Real Deal Services, Tatiana trabalha nos bastidores dos serviços de limpeza de casas e estabelecimentos comerciais. “Eu cuido do relacionamento com os clientes, organizo os horários, agendo”, conta a gaúcha de Santa Cruz do Sul.

tatiana_wesleyFormados em Turismo e Hotelaria no Brasil, os dois usufruíram dos conhecimentos em IT com ênfase em Multimídia, diploma concluído na Austrália, para criar a primeira identidade visual da empresa. “Nós fazíamos os anúncios para os jornais, criávamos os textos, adequávamos aos formatos das mídias. Também montamos nosso primeiro site. Com o tempo, fomos recorrendo aos profissionais de criação, de marketing”, observa a cleaning manager da empresa.

Em entrevista ao site Net Brasil, Tatiana destacou o crescimento da demanda de serviços de limpeza, entre outros assuntos. E para quem tem interesse em trabalhar como cleaner colocando a mão na massa, ela acrescenta: “Realmente, cleaning não é um trabalho leve. Não é fácil para ninguém, principalmente no começo. E também é um trabalho inesperado, a casa pode estar mais suja ou limpa do que se espera. Tem que ter pegada. Se a pessoa tem o dom da limpeza, aqui ela vai para frente”.

Como nasceu a A A A Real Deal Services?

Meu marido resolveu montar o negócio há uns sete anos. Ele trabalhou por algum tempo em uma empresa de limpeza de carpetes. Como ele já tinha experiência, habilidade e alguns contatos, tivemos a ideia. A princípio trabalhávamos apenas com os serviços de jardinagem e de limpeza de carpetes e móveis. Então, há uns três ou quatro anos, ampliamos nossos serviços com a faxina de casas e escritórios.

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E como vocês fizeram para abrir o negócio?

No inicio nós demos entrada em uma Sole Trader (firma individual) e depois acabamos abrindo uma Company (pessoa jurídica). Tivemos o auxílio de um contador, elaboramos um plano de negócios, compramos o maquinário e começamos a divulgar a empresa.

Quais são os tipos de cleaning que vocês oferecem? Como mantêm excelência no atendimento?

Na parte do cleaning nós trabalhamos com end of lease que é quando alguém vaga a propriedade para alugar, temos também weekly e fortnightly que é a faxina semanal e quinzenal, limpeza de janelas, vidros e escritórios, organização de armários, after party. Acho que o que nos diferencia é o relacionamento criado com os clientes e o nosso staff, que passa por treinamento e segue padrões de limpeza estabelecidos por nossa empresa. Além disso, nós também oferecemos cobertura contra acidentes.

As pessoas gostam de contratar profissionais brasileiros? O brasileiro realmente se destaca no ramo da limpeza?

Muito. Para o brasileiro essa limpeza que fazemos aqui, que é considerada ótima pelos clientes, não é nada se compararmos a que costumamos fazer no Brasil. Os meus maiores concorrentes são os asiáticos. Eles cobram mais barato, trabalham em mais pessoas ao mesmo tempo e limpam uma casa muito mais rápido. Já nós, damos muita importância aos detalhes, o que para os clientes daqui é algo muito diferenciado. São detalhes como ter o cuidado de esticar um lençol ou uma toalha, dobrar um papel higiênico, limpar os cantinhos. E brasileiro é um povo limpo por natureza, por cultura. No geral, ele sabe como limpar, sabe enxergar esses detalhes se compararmos a outros povos. Se a pessoa tem o dom da limpeza, aqui ela vai para frente.

Quais são as vantagens e desvantagens de ter uma empresa de limpeza?

A desvantagem é que eu trabalho o tempo todo. No caso do meu marido ele é o dono e trabalha também indo a campo, então ele ganha nas duas situações. Eu não posso cobrar por cada hora trabalhada, entende? Primeiramente os clientes entram em contato com o Wesley e ele direciona para mim. Então eu converso com eles, vejo o que eles precisam, negocio, organizo tudo. Não tenho horário. O que acaba sendo vantajoso também em algumas situações já que tenho flexibilidade.

Do início aos dias de hoje, o que você observa de mais relevante em termos de mudança no seu segmento?

Growth. Always growing. Thanks God. A cada ano que passa, é muito nítido o crescimento desde que começamos. E tão nítido quanto um soco na cara (risos). E sempre gerando perspectivas, novos projetos. Growth no passado, no presente, no futuro.

casa-tatiana-wesleyQuem são os seus clientes?

Meu publico é bem eclético. Basicamente ele é formado por australianos que querem limpar suas casas ou propriedades que alugam, por exemplo. Mas varia muito. Nós atendemos desde clientes ricos que possuem grandes e belas casas até clientes que têm casas mais simples, menores. Temos ferramentas e excelência para servir ambos.

E quem trabalha para vocês? Quais são os requisitos exigidos?

Para a limpeza das casas, eu contrato mulheres brasileiras, geralmente no visto de estudante (visto que permite 20 horas de trabalho por semana). Tem que ter flexibilidade de horário e comprometimento, ser pontual, responsável e disponível, além de apresentar qualidade no serviço, obviamente. Tem que ser da “pegada” (risos). Já o Wesley contrata outras nacionalidades, geralmente quem está no Work Holiday Visa (visto que permite mais horas de trabalho por semana).

E é difícil encontrar uma boa cleaner?

Que realmente sabe limpar e tem profissionalismo, além dos requisitos citados? É muito difícil. Você nem imagina. Quando encontro uma boa cleaner, eu agarro. E ainda sim existem contratempos, já que todos temos defeitos. Para você ter uma ideia, quando eu posto no Facebook, nos grupos de brasileiros que moram em Sydney, o meu celular não para por seis ou sete horas. De 70 pessoas que mandam mensagem querendo trabalho eu salvo duas ou três para treinar. Ainda assim, uma ou outra me liga cancelando no dia. Infelizmente, muita gente te deixa na mão também. É frustrante porque vejo muita gente precisando de emprego por aqui e mesmo assim é difícil achar a pessoa certa.

Como é o processo de seleção?

Quando eu recruto alguém, sempre faço um treinamento, geralmente em minha própria casa. É assim que eu vejo como a pessoa trabalha, se tem ou não experiência. Eu sempre ensino alguns macetes, técnicas. Se a pessoa tem condição de seguir nossos padrões, ela passa a trabalhar conosco. Por ser brasileira, eu conheço a cultura, o jeito dos brasileiros. Ao contratar uma brasileira, em alguns minutos de conversa eu já consigo enxergar se ela é da “pegada” ou se é da balada, se quer dinheiro só para renovar o visto. Para mim é mais fácil de conhecer as pessoas sendo da mesma nacionalidade, me sinto mais segura ao contratar um conterrâneo.

Camilla Taddeo

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